quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

(sem título)

Hoje, essa crônica, texto, nota, matéria – o que quiserem denominar – não terá título. Simplesmente não consegui dar um nome. Geralmente, quando começo algum texto, já sei qual será o título. Dizem que quando o assunto a ser tratado tem importância, já sabemos o que colocar como nome, acima. Não concordo com isso. Às vezes não se precisa de nada para denominar. Esse texto, a meu ver, não precisa de nada para chamar a atenção do leitor.

O Fluminense fez uma grande partida. Foi guerreiro, corajoso, organizado. Os 3x0 mostraram a diferença de classe entre os dois times. A LDU precisou da altitude e dos gandulas para vencerem daquela forma a primeira partida, em Quito, no estádio Casablanca. Nós precisamos apenas do calor da torcida. O futebol foi bem jogado, e jogado em campo.

Aqueles 2x0 do primeiro tempo encheram de esperança a torcida. Diguinho, com a ajuda do zagueiro, e Fred, depois de uma finalização milimétrica – bateu na trave antes de entrar – deixaram o tricolor com chances de buscar o resultado. A expulsão de um jogador equatoriano tornou a partida mais favorável. O time nem entrou no vestiário. Não precisava. As raízes dos jogadores estavam presas na torcida. Não deveria desgrudar, senão perderia sua essência. A paixão clubística aflorava na pele dos guerreiros. Tudo isso vinha de cima, lá das arquibancadas brancas, azuis, amarelas.

No segundo tempo o Fluminense não deixou a Liga respirar. Aliás, durante o jogo todo isso não aconteceu. Lá no Equador, na semana passada, o Fluminense só não partiu para cima por conta do cansaço. E aqui, aonde estava a LDU? Presas nas cordas como um adversário prestes a ser nocauteado. O Fluminense havia empurrado o Mendez e Cia contra a parede. Não conseguiam respirar. Nem o pó-de-arroz, que atacava avassaladoramente.

O gol saiu da cabeçada de Gum, o zagueiro artilheiro. A partir daí, Fred perdeu a cabeça. Aliás, juntou a cabeça com o juiz e foi expulso. Merecido. Mas não o reprimo pela atitude. O calor do jogo, a vontade de vencer materializa situações desse tipo.

Partida tensa e mais outro adversário expulso. 10 contra 9 nesse momento. O Fluminense gasta toda a força que tem. Mas o 3x0 mantêm-se. Não foi suficiente. Termina a partida. LDU campeã, mais uma vez, no Maracanã.

E onde fica o Fluminense nessa história? Abatido? De jeito nenhum. As pessoas têm a mania de acharem que um time se faz com títulos. Na verdade, os outros se fazem disso. O tricolor não. Nós não precisamos de metais na galeria para ser respeitados. O Flu não se faz de título. Ponham isso na cabeça! Nós vencemos daquela forma. Isso que importa. Ninguém vence da forma como vencemos. E para encerrar, eu ‘vos digo que o melhor time é o Fluminense. E podem me dizer que os fatos comprovam o contrário, que vos digo: pior para os fatos’.

domingo, 29 de novembro de 2009

Goleada necessária

Muitos amigos dizem que o Fluminense sentiria a grande derrota sofrida pela LDU, na quarta feira, dia 25. Mas o tricolor não se deixou abater e venceu o Vitória neste domingo, dia 29 por 4x0, num Maracanazo com 52mil pessoas. Aliás, esse resultado é algo que Flu pretende atingir para tentar levar o segundo confronto com a Liga para os penaltys. É o resultado mínimo necessário. Esse jogo contra o Vitória foi um ‘ensaio’.

O pó-de-arroz não jogou com toda a força. Isso foi visto em campo. Calma! Não estou dizendo que o Fluminense jogou mal. Pelo contrário. O time colocou o rubro-negro baiano na roda e jogou num bom nível. Mas todo torcedor sabe que aquilo não é nem a metade da capacidade desse atual time. O bom futebol que vem mostrando, aliada à raça, vontade, atitude e força máxima, são fatores fundamentais para que o tricolor possa sair vencedor e, quem sabe, com o título inédito. Outra coisa: a falta de altitude também. Lembrando que a vitória foi 2x1 para a LDU. Os 3x0 foram da altitude. Covardia.

É engraçado que as pessoas dizem que o tricolor não conseguirá. Alguns dizem que não há condições. Parecem que esquecem das tantas coisas impossíveis que esse time já fez esse ano. As matemáticas apontavam 99% de chances de o tricolor cair. Hoje, nós estamos fora do z-4. Alguém ainda tem coragem de dizer, agora, que o Fluminense tem 99% de perder o título? Pior que tem.

Se o time-das-três-cores-que-traduzem-tradição conseguir um 2x0 logo no primeiro tempo, a coisa ficará feia para a Liga. Esse time do Fluminense não desiste fácil. Ah não desiste mesmo!

A partida de quarta-feira será inesquecível, épica, emocionante e tirará o fôlego de Flamenguistas, Vascaínos e Botafoguenses. Secarão a vontade, e isso é normal no mundo social do futebol. Torcedores secam seus outros amigos. Isso pouco importa ao tricolor. Na verdade, tudo é possível quando quem faz é o Fluminense. Querem se superar? Mudem seus nomes para Fluminense Football Club.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Fluminense é um time copeiro

A vitória do Flu ontem contra o Dream Team Fight do Cerro Porteño, encheu de esperança a torcida tricolor. Primeiro: vai pela segunda vez em dois anos disputar uma final continental. Segundo: o tricolor está louco para enfrentar a LDU.
O Fluminense vem mostrando tremenda competência dentro das quatro linhas. São 12 jogos invicto, sendo 6 vitórias consecutivas. Um banho de números atraentes (para quem gosta de conta) e interessantes. Mas isso não vem ao caso neste momento.

O que quero dizer é que não é só o São Paulo, Internacional, Cruzeiro, Grêmio e Cia que são times Copeiros. Esse termo, na linguagem futebolística, é quando um clube consegue se dar bem em competições de grupos e mata-mata. O Fluminense vem mostrando isso de 2005 pra cá. O segredo do mata-mata é saber otimizar o tempo entre as duas partidas e levar em conta sua relevância, que é a eliminação. O Fluminense parece que consegue jogar nessas ocasiões melhor do que em campeonatos de pontos corridos.

O tricolor se classificou para a final, para o delírio de sua torcida. E agora enfrentará a LDU. O maracanã estará lotado e o Fluminense mostrará para todo o Brasil o que é um time copeiro. E mais: tentará dar o troco na Liga Deportiva Universitária. Os sonhos nostálgicos e saudosistas da Libertadores 2008 encherá de magia a festa da torcida tricolor. E todo eles acreditam no troco.

Ta explicado!

O Palmeiras perdeu para o Grêmio. Tudo bem. O time está mal, parece desmotivado e torce para que o campeonato acabe logo, pois, se depender das suas próprias forças, não irá nem para a Libertadores ano que vem. O Verdão não pontua mais, os jogadores parecem ‘gatos dentro do saco’. Estão perdidos em campo. Até o final do primeiro tempo da partida contra os gaúchos, eu não sabia explicar o porquê desta fase negra do Porco. Ninguém sabia.

Mas a resposta foi levada à tona. Obina e Maurício explicaram muito bem a situação depois daquela troca de gentilezas ontem, dia 18 de novembro, pela rodada 36 do Brasileirão. A trágica queda do Palmeiras estava empunhada no braço de Obina. Aquilo representou a fraqueza daquele elenco. Um time que está desequilibrado e sem qualquer perspectiva. O zagueiro e o atacante foram ‘demitidos’ pelo vice-presidente Gilberto Cipullo. A atitude mais correta e sensata. Mas isso não apaga o momento vivido pelo alviverde imponente.

Aliás, o hino traduz muito bem a situação de ontem contra o Grêmio: “Quando surge o alviverde imponente, no gramado em que a luta o aguarda”. Obina e Maurício absorveram tão bem isso, que acabaram se esmurrando no gramado. Eles interpretaram o hino de forma literal e explicaram para o torcedor toda a situação do clube.

sábado, 7 de novembro de 2009

ENCLAUSURADA E SEGREGADA

“Podem ter certeza que a seleção que disputará a Copa no ano que vem será a mais fechada da história do nosso futebol. A imprensa terá muito menos liberdade para trabalhar. E não tem nada a ver com a África do Sul. Em Weggis, a liberdade foi total e todo mundo reclamou da bagunça. Então vamos fazer diferente desta vez”.

Foi com essa declaração que o Presidente da CBF Ricardo Teixeira deixou atônito toda a imprensa e a torcida sobre a disponibilidade de cobertura de notícias para a Copa do Mundo de 2010, que será realizada na África. O motivo: a excessiva liberdade dos meios de comunicação durante a preparação do Brasil em Weggis, na Suíça, para a Copa ocorrida em 2006, na Alemanha. Segundo o Presidente, esses fatos prejudicaram o rendimento brasileiro dentro de campo durante toda a Copa, e principalmente a partida contra a França nas quartas-de-final.

Mas o torcedor sabe que fatores técnicos e táticos também contribuíram para o péssimo rendimento da seleção Canarinho na Alemanha. O próprio Treinador Carlos Alberto Parreira afirmava à época que o Brasil jogava com 4 atacantes, sendo Kaká e Ronaldinho Gaúcho como meio-campistas. A conseqüência disso foi um time forte ofensivamente, porém desentrosado. O setor defensivo contava apenas com 2 zagueiros fixos, Lúcio e Juan, além de Emerson como volante, que fazia às vezes a função de terceiro defensor para equilibrar os avanços dos laterais Cafu e Roberto Carlos. Zé Roberto ficava fora do chamado ‘Quarteto Fantástico’, composto por Kaká, Ronaldinho, Ronaldo e Adriano. No papel, era um time de craques, mas sem vontade de vencer.

A voz do povo

Em seus 7 anos trabalhando como porteiro no Condomínio Vênus, Cícero Farias, 32 anos, sempre assistiu aos jogos pela TV coletiva de 14 polegadas ao lado dos seus amigos de trabalho, com sistema de televisão fechada, em que todos os funcionários dividem os gastos para poderem usufruir de canais como Sportv e Espn. Atualizado sobre as declarações do Presidente da CBF e das expectativas para a Copa na África, o trabalhador concedeu esta entrevista.

Com um pouco de receio em conversar, Cícero Farias afirmava com grande humildade que não entendia muito sobre futebol. Apenas pura ilusão. Enquanto encontrava-se em sua pequena guarita, observando as câmeras e o tráfego do condomínio, Cícero Farias respondia às perguntas de forma leve e consciente.

Lucas Peixoto – O senhor acha que o maior erro da seleção brasileira na copa do mundo em 2006 foi conseqüência da pressão exercida pela imprensa e torcida sobre o elenco?

Cícero Farias – Eu acho que a pressão da torcida e imprensa atrapalha, pois o jogador fica sobrecarregado emocionalmente, sentindo-se cobrado. Mas por outro lado, a torcida pode ajudar se ela for compreensiva e não atrapalhar. Se ela apoiar o time nos treinos de forma saudável, isso pode ajudar dentro de campo.

LP – Mas muitos dizem que o Brasil jogou mal tecnicamente, principalmente contra a França. Além da pressão da imprensa e torcida, faltou algo mais àquela seleção?

CF – Faltou força de vontade e mais futebol ao Brasil, mesmo com um time de craques como Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Adriano e Kaká.

Quando perguntado sobre os possíveis favoritos à conquista da Copa 2010, o jovem Cícero parou por alguns segundos enquanto pensava em uma resposta. Foi quando apontou Itália e Alemanha. “Se tivesse que escolher uma terceira equipe, colocaria na disputa o Brasil”, afirmou Farias.

Quando perguntei sobre deixar a Espanha, atual campeã da Eurocopa 2008 sobre a Alemanha, fora da disputa, o porteiro objetou-se: “Mas foi só naquele momento. Para mim, as seleções pequenas podem surpreender ano que vem e tirar o título dos times tradicionais. Já estão mostrando sua força nas Eliminatórias Européias e podem dar muito trabalho às grandes seleções”.

Eu, robô

Interessante a forma como que se ‘criam’ futuros candidatos para concorrer a cargos no governo. Pessoas da comunicação, do marketing e da publicidade modificam a fala, a postura em frente ao povo, o comportamento e até o pensamento.

Dilma Rousseff é um exemplo dessa lavagem cerebral. Uma candidata sem experiência política e que só possui competências administrativas, o que é insuficiente para ser presidente. Vive da sombra petista de Lula, que busca ser a imagem e semelhança feminina do atual ‘comandante’ brasileiro. Até publicitários e mercadólogos conhecidos estão na luta para ‘construir’ a senhorita Dilma. O responsável pela campanha do presidente Barack Obama, Scott Goodstein, colocará a candidata petista em um pedestal de credibilidade. As campanhas na internet também estão sendo criadas para esse objetivo.

Dilma Rousseff ultimamente toma aulas para melhor comportamento e até anda cuidando da beleza. E o mais trágico e engraçado às vezes: criando um pensamento político voltado à causa ecológica. Dilma preocupada com aquecimento global e desmatamento? Parece até uma concorrência contra a canditatura Marina, do PV, antes filiada ao PT. A concorrente de Serra e Cia anda até participando de congressos em busca dessa boa causa. A cópia feminina do atual presidente deve ser alvo de chacotas e piadas por outros representantes nesses eventos. Mas tudo isso em off.

Essa é a realidade do cenário político nacional e internacional. Não se faz mais política com naturalidade. Se faz com fingimento e frieza. Dilma e tantos outros parecem mais robôs no palácio, que se comunicam de forma padronizada e executam funções de forma programada. Quem faz política hoje é a publicidade. Não existem mais políticos.

domingo, 1 de novembro de 2009

Um clube sem início, meio e fim

Caro leitor, dizem alguns que jornalista da área esportiva não pode, em momento algum, revelar sua paixão clubística. A ética, a imparcialidade (o que é uma aspiração infundada) e as normas jornalísticas não permitem tal atitude. Mas quem escreverá aqui não será eu enquanto estudante de jornalismo. Será Lucas Peixoto, torcedor apaixonado pelo Fluminense Football Club.

Fluminense e Cruzeiro digladiaram no Mineirão dia primeiro de novembro. Um dia marcante para a história tricolor. Um time tresmalhado no começo e guerreiro no final. Foi um primeiro tempo deprimente. O Fluminense não conseguia resistir aos ataques mineiros. Não ditava um ritmo de jogo. O coração ficava apreensivo, enquanto à distância meu pai dizia-me as emoções do jogo por telefone. Meu amor por minha namorada, que é maior do que pelo tricolor, me fazia ausente da partida televisiva.

O Fluminense viu sua chance de gol quando Maicon, depois do lançamento do zagueiro Dalton, foi ao chão de forma incomum. Sobrenatural de Almeida, que não podia ficar fora desse épico embate futebolístico, foi convidado a sair das crônicas de Nelson Rodrigues e aparecer aqui.

Mas o fugidio lance não foi o suficiente para tirar o ânimo do Cruzeiro, que logo depois fez o primeiro gol, aos 13 minutos. O lateral Gilberto passou a bola para o lateral Jonathan marcar. 1 x 0 Cruzeiro. Começa então o desespero ululante dos jogadores. A tênue linha psicológica converte-se em prantos e desespero da torcida.

O lado esquerdo do Fluminense estava desamparado nas costas do jovem Dieguinho. O pobre garoto, que possui qualidades, não era capaz de parar os avanços cruzeirenses, que pareciam titãs recém despertados, loucos para devorar o desprotegido Fluminense e seus atletas.

O pó-de-arroz, em mais um pueril avanço, conseguiu uma boa finalização de Maicon. A bola mudou seu trajeto pelas mãos do goleiro Fábio. Pênalti para o Cruzeiro. Diogo deitou abaixo Guerrón depois de um ingênuo carrinho por trás. Wellington Paulista bateu e... perdeu. Desperdiçou a cobrança depois de jogar a pelota afora.

Para completar o desastre, aos 30 minutos a assombração guerrônica do ano passado toca para Wellington Paulista que, retratando-se, marca para a Raposa. O camisa 9 domina o lance como tal, dribla desconcertantemente o zagueiro, desconsidera o arqueiro e manda aos fundos do gol. 2 x 0 Cruzeiro. E meu pai no sofá, infelizmente sofrendo com minha ausência.

Em seguida, para afligir ainda mais corações verde-branco-grenás, Fabrício, depois de uma sobra de bola conseqüente de um escanteio, domina e manda um chute alá-Rivelino. Bate na trave. O Cruzeiro que poderia estar goleando com fúria avassaladora, sufoca meu time. E do meu pai, que torce desde 76. Convido agora nosso Gravatinha para mudar a situação da partida. Termina o primeiro tempo e a magia tricolor entrará em campo.

Começa o segundo tempo e quem está no estádio percebe o brilho no olhar guerreiro dos jogadores do Flu. Estavam em fúria, prontos para a maior batalha e maior vitória dos últimos tempos. A virada será intensa, de acordo com nossas tradições. Um triunfo com oportunismo, suor e lágrimas.
Em nenhum momento meu pai perdeu a esperança. Coisa rara, vindo de alguém que se irrita facilmente quando nosso time joga mal. Mas dessa vez não. A experiência dele de 33 anos como torcedor me encheu de esperança, como o nosso verde. Eu, do outro lado e envolvido em outra atividade, estava impossibilitado de acompanhar a partida na TV.

Aos 10 minutos, um gol oportunista. Conca jogou na área, Maicon girou desatinado e a história tricolor consagrou-se em Gum, que dominou e mandou o chute na cara do gol. Cruzeiro 2 x 1 Fluminense. Meu pai vibrava de forma arrebatada. A esperança do verde tricolor renasce. O vigor e o amor do grená transcendem. E como disse o narrador, ‘Gum faz o primeiro’. É como se todos soubessem como seria o resultado final.

Aos 13, do meio de campo Conca lança para Fred na entrada da área. O atacante domina, menospreza o Cruzeiro e manda o foguete. O pé adversário ajuda. Gravatinha põe a mão na cronologia. Um gol suado, digno da luta do craque. Fred não comemora em respeito aos mineiros. Ninguém comemora junto. Todos estão insaciáveis, famintos e loucos para devolver o que receberam da Raposa. O óbvio, mais que ululante, reforça a velha filosofia de que “se quiseres saber o futuro do Fluminense, olhai o teu passado. A história tricolor traduz a predestinação para a glória”. Ufa: 2 x 2 Fluminense! As lágrimas do meu pai caem. Começa-se o desatino da santa paixão tricolor

Conca estava jogando com fina classe o futebol que é dele, que é argentino e que é brasileiro. Fred com oportunismo de craque. Maicon com arrancadas radiantes. Faltava o golpe final. Eis que Conca lança Maicon pela ponta direita. O craque avança, dribla o lateral cruzeirense e toca para outro craque – Fred – que domina e, com frieza, mata a partida: Fluminense 3 x 2 Cruzeiro. E mais uma vez não comemora. É o fim. Cruzeiro nocauteado, meu pai em prantos. Então meu celular toca: “Vencemos, vencemos! Vamos sair dessa! Não merecemos cair!”.

Em 18 anos de afinidade e cumplicidade paterna, nunca vi tamanha alegria estampada na face tricolor do ‘meu velho’. Nessa partida percebi que a história do Fluminense não tem início, nem meio e nem fim. Tudo se junta de forma imperceptível e surpreendente. As glórias do passado se traduzem no futuro, e o meu time, o time do meu pai e de uma gloriosa e guerreira torcida vence mais uma batalha. A esperança se renova. Nós não cairemos mais. Jamais. Nosso sol da manhã sempre brilhará.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Análise tática: O Brasil de 2010



Mesmo sabendo que o Futebol muda constantemente e que certamente a seleção brasileira poderá sofrer mudanças no time titular até 2010, farei uma análise tática do provável time de base do Brasil.

Se levar em consideração os jogadores utilizados e seus rendimentos, não há muitas surpresas. Gilberto Silva se mantém como volante ao lado de Felipe Melo. O ataque está praticamente fechado com Luis Fabiano e Robinho. Kaká é intocável. Lúcio e Juan idem. André Santos disputa vaga na lateral esquerda. Maicon e Daniel Alves brigam pelo lado direito.

O time do Brasil joga teoricamente com 3 volantes. Mas Dunga concede uma função peculiar à Elano, ex-Santos. O jogador irá se posicionar pela ponta direita nos avanços da seleção, como fez com o Peixe em 2002. Felipe Melo será o segundo volante, responsável pela ligação entre a defesa e o meio campo. Por isso, o toque de bola deve ser com qualidade.

Os zagueiros terão que ter cuidado com os avanços dos laterais. Geralmente, quando um time joga no 4-4-2, como é o caso da seleção, os laterais devem revezar nas subidas ao ataque. Porém a modernidade do futebol permitiu que os dois laterais subissem paralelamente enquanto um volante fazia o terceiro zagueiro, que nesse caso seria o experiente Gilberto Silva. Dessa forma, nos avanços, o Brasil atuaria no 3-5-2.

Do meio campo para frente, Kaká será o cérebro do time. Um craque que possui inteligência para controlar o jogo e força para dar suas maravilhosas arrancadas (contra Argentina, por exemplo). A ligação ao ataque certamente dispensa comentários.
No ataque, Robinho será o famoso atacante que se movimenta bastante. O lado esquerdo poderá ser o lado mais freqüentado pelo jogador do Manchester City, já que Elano, em alguns momentos, atuará, como dito antes, pelo lado direito.

O atacante fixo será o intocável Luis Fabiano, apelidado de ‘O fabuloso’. Às vezes fará o pivô para os chutes longos e fortes de Kaká ou Felipe Melo, em raras exceções.
Por falar em intocável, Júlio César será o goleiro titular ano que vem. A não ser que aconteça algo extraordinariamente fora do comum. O arqueiro, ex-Flamengo, trás bastante segurança à zaga brasileira.

A seleção tem um time que joga simples, entrosado taticamente e com jogadores técnicos, o que faz a o Brasil ser um time bem estruturado em seu elenco. As chances de um hexa campeonato existe, mas os Canarinhos terão que disputar com grandes seleções, como Alemanha, França, Argentina(aguardem e verão; eu já conheço essa história) e a Espanha, que possui um time promissor, com jovens como Cesc Fábregas e Silva.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Resposta ao ‘Giro pela rodada’

Como é da ética jornalística a transparência com o leitor, venho aqui mostrar os resultados da minha análise da ultima rodada do Campeonato Brasileiro 2009, feita no dia 18 de outubro. Não a fiz antes devido à pendências e estudos, afinal de contas, ainda sou estudante. Foram jogos interessantes, surpreendentes e reforçaram minha idéia de que (e o jargão não mente) o Futebol é uma caixinha de surpresas.

Por mais que o Palmeiras estivesse com uma nuvem negra sobre as cabeças, não imaginava uma derrota daquelas para o Flamengo. Havia apostado em um 2x1 do Verdão, mas perdi essa e o Rubro-Negro venceu de forma brilhante.

No caso Grêmio x Coritiba, previ uma vitória tranqüila por 3x0. Os gaúchos venceram por 2x0 e de forma tranqüila. O acerto só não foi 100% por causa de um gol.

Previa uma vitória tricolor perante o Internacional, mesmo com o Fluminense desesperado para não cair no pré-sal ano que vem. Disse que era 2x0 e errei. O Inter explorou a falda de segurança de um Flu tenso e desorganizado. Apesar do empate, o resultado acabou sendo ruim também para o Internacional. Errei tudo.

Pensava que o Sport não conseguiria ombrear a equipe do Corinthians e descolaria apenas um empate. Mas não tomou conhecimento do campeão da Copa do Brasil e derrotou-o por 2x0 jogando bem por sinal.

Disse que o Atlético-PR ia vencer o Santo André. Acertei a vitória, mas não acertei o placar, que foi um fácil 3x0. Havia dito que seria um truncado 2x1.

O Vitória iria vencer o Náutico por 1x0 em um jogo disputado. Mas, apesar de acertar no triunfo, errei no placar, que foram surpreendentes 3x1, apesar de ter sido um jogo disputado. O Rubro-Negro Baiano foi mais oportunista.

O Cruzeiro venceria o Botafogo por 3x1. Fiz tudo certo como acima, mas errei o placar. A Raposa venceu por 1x0.

O Palmeiras não quer o título brasileiro

Geralmente percebemos um time com cara de campeão quando ele deslancha nos momentos decisivos. Mas às vezes isso não acontece. Veja o Fluminense ano passado, que arrancou na Libertadores, mas perdeu na final para LDU depois de eliminar um certo Boca Juniors e um tal de São Paulo. Por falar no segundo time, o tricolor paulista é um exemplo de que a arrancada decisiva faz a diferença. Ano passado, quando foi ‘empurrado’ desceu (na verdade, subiu) ladeira abaixo.

Por falar em descer, mas sem sair do lugar, por enquanto, o Palmeiras vem desapontando, literalmente. Depois da vitória perante o Santos, na Vila, o Verdão empatou com o Avaí em casa, levou um chocolate do Náutico, tomou um tapa do Flamengo, jogando em seus domínios, e dessa vez, pra variar, apanhou do Santo André. Vejam que são 4 jogos, ou seja, 12 pontos disputados, com 2 jogos em casa. O Palmeiras conquistou só 1 ponto. Podem calcular. Parece até brincadeira, mas eu repito: 1 ponto em 12 disputados.

Esses erros podem ser amenizados se o Porco vencer o Goiás, quinta-feira, dia 29. Mas se vacilar novamente, mesmo em casa, os que estão atrás não perdoarão, de jeito nenhum. O Flamengo começou a arrancar, já briga pelo título, e não perde a 10 jogos. São 7 vitórias e 3 empates. O São Paulo, apesar dos deslizes, vem firme na disputa. O Internacional possui um bom time e pode ultrapassar. O Galo Mineiro vem conquistando grandes vitórias e, com um jogo a menos, pode diminuir a vantagem Palmeirense para apenas 1 ponto.

Do jeito que decorre, o Brasileirão mais equilibrado dos últimos tempos só saberá o campeão na última rodada, pois, com tantos times desleixados leva-se a crer que o Palmeiras não quer o título Brasileiro. Mas Atlético, Inter, São Paulo, Flamengo e Goiás querem. E como querem.
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