Hoje, essa crônica, texto, nota, matéria – o que quiserem denominar – não terá título. Simplesmente não consegui dar um nome. Geralmente, quando começo algum texto, já sei qual será o título. Dizem que quando o assunto a ser tratado tem importância, já sabemos o que colocar como nome, acima. Não concordo com isso. Às vezes não se precisa de nada para denominar. Esse texto, a meu ver, não precisa de nada para chamar a atenção do leitor.
O Fluminense fez uma grande partida. Foi guerreiro, corajoso, organizado. Os 3x0 mostraram a diferença de classe entre os dois times. A LDU precisou da altitude e dos gandulas para vencerem daquela forma a primeira partida, em Quito, no estádio Casablanca. Nós precisamos apenas do calor da torcida. O futebol foi bem jogado, e jogado em campo.
Aqueles 2x0 do primeiro tempo encheram de esperança a torcida. Diguinho, com a ajuda do zagueiro, e Fred, depois de uma finalização milimétrica – bateu na trave antes de entrar – deixaram o tricolor com chances de buscar o resultado. A expulsão de um jogador equatoriano tornou a partida mais favorável. O time nem entrou no vestiário. Não precisava. As raízes dos jogadores estavam presas na torcida. Não deveria desgrudar, senão perderia sua essência. A paixão clubística aflorava na pele dos guerreiros. Tudo isso vinha de cima, lá das arquibancadas brancas, azuis, amarelas.
No segundo tempo o Fluminense não deixou a Liga respirar. Aliás, durante o jogo todo isso não aconteceu. Lá no Equador, na semana passada, o Fluminense só não partiu para cima por conta do cansaço. E aqui, aonde estava a LDU? Presas nas cordas como um adversário prestes a ser nocauteado. O Fluminense havia empurrado o Mendez e Cia contra a parede. Não conseguiam respirar. Nem o pó-de-arroz, que atacava avassaladoramente.
O gol saiu da cabeçada de Gum, o zagueiro artilheiro. A partir daí, Fred perdeu a cabeça. Aliás, juntou a cabeça com o juiz e foi expulso. Merecido. Mas não o reprimo pela atitude. O calor do jogo, a vontade de vencer materializa situações desse tipo.
Partida tensa e mais outro adversário expulso. 10 contra 9 nesse momento. O Fluminense gasta toda a força que tem. Mas o 3x0 mantêm-se. Não foi suficiente. Termina a partida. LDU campeã, mais uma vez, no Maracanã.
E onde fica o Fluminense nessa história? Abatido? De jeito nenhum. As pessoas têm a mania de acharem que um time se faz com títulos. Na verdade, os outros se fazem disso. O tricolor não. Nós não precisamos de metais na galeria para ser respeitados. O Flu não se faz de título. Ponham isso na cabeça! Nós vencemos daquela forma. Isso que importa. Ninguém vence da forma como vencemos. E para encerrar, eu ‘vos digo que o melhor time é o Fluminense. E podem me dizer que os fatos comprovam o contrário, que vos digo: pior para os fatos’.
Shabát Shalôm
Há 15 anos


