quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Equilíbrio é uma coisa, incompetência é outra

Em 2009, nunca se viu um campeonato brasileiro tão equilibrado. Lembro-me, como se fosse hoje, de ter visto cinco times com chances de título. Flamengo, Internacional, Cruzeiro, São Paulo e Palmeiras eram os candidatos ao caneco. E no fim, o rubro-negro carioca sagrou-se campeão depois de vencer o Grêmio por 2x1 em partida emocionante.

Se você não lembra caro leitor, o flamenguista sim, tem boas lembranças daquele jogo e de como o Flamengo levou o título. Primeiramente, conseguiu uma arrancada fenomenal nas últimas rodadas da competição. Guardem isso: conseguiu uma ARRANCADA. E contou também com o tropeço dos concorrentes diretos. E com méritos, competências e muitas sortes, conseguiu o lugar mais alto.

Pois bem, aqui estou – ou estamos – em 2010. Matematicamente, até o Vasco tem chances de sagrar-se campeão. Põe matematicamente nisso! Se usarmos o bom senso, do Fluminense, com 54 pontos, até o Atlético-PR, com 47, todos possuem chances de sagrar-se campeão nesse ano. Ou seja, oito times com reais chances de levantar o troféu.

Mas ocorre algo estranho ou no mínimo diferente nessa competição. Alguém está arrancando na reta final? Se bem me lembro – e espero que minha memória não me traia –, o Cruzeiro foi o último a conseguir uma arrancada e a subida durou até a rodada 30. O Fluminense já arrancou e estagnou. Porém algo também me é estranho no tricolor: está a cinco jogos sem vencer e é líder. Pois é: líder!

O Corinthians arrancou junto com o Fluminense. Mas caiu de rendimento antes. E apesar das chances reais de título, sofre com as seqüelas da crise com a torcida. O Botafogo também engatou a quinta marcha no meio do campeonato, mas parou também e hoje corre por fora na conquista do título.

Será que esse campeonato está sendo equilibrado mesmo? Ou ninguém está sendo competente o bastante para vencer? As equipes candidatas ao título conseguem tirar pontos dos concorrentes diretos, mas logo depois perdem para outros tantos.

Pode-se perceber claramente nessa edição uma grande irregularidade entre os candidatos ao primeiro lugar, ao contrário do ano passado no qual o Flamengo se sagrou campeão. Foi equilibrado, foi emocionante. Times tropeçaram e se distanciaram também. Alguns perderam fôlego. E um arrancou: o Flamengo

Mas e esse ano? O Campeonato está equilibrado, emocionante, com tropeços e distanciamentos. Mas quem está arrancando? Essa é a questão central. Quem na reta final parece mostrar fôlego para subir até o ponto mais alto? Ou aparece logo um time com postura de vencedor ou o jeito é entregar o troféu à CBF com os dizeres: “No campeonato mais equilibrado do mundo, ninguém deve ser o campeão”.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

CINCO ASPIRANTES AO TÍTULO

No começo do Campeonato Brasileiro, Fluminense e Corinthians dividiam a liderança de forma isolada e competente. Mas os tropeços não tardaram a acontecer e ambos caíram na tabela. Alguns torcedores podem alegar os deslizes à grande quantidade de contusões. Mas tudo não passa de logro, pois os outros três times que entraram na disputa pelo título também sofreram com ausências importantes.

E quem são os tais três times na qual tanto falo? Pois estes são Cruzeiro, Santos e Internacional. Times que aproveitaram as oportunidades e se igualaram ao tricolor carioca e ao Timão.

Faltando nove rodadas para o fim da maior competição nacional, darei a cara à tapa e direi as chances desses cinco times aspirantes ao título brasileiro. Mas vale alertar: às vezes o primeiro pode não ser o real favorito, ou o último ter mais chances que o terceiro, e por ai vai... Parece loucura? Pois não é!

O primeiro da lista, e primeiro colocado, é o Cruzeiro com 54 pontos. Segundo a matemática do futebol, este tem 54% de chances de ser campeão. E coincidentemente atribui ao time de Cuca o maior favoritismo. A Raposa começou a crescer no momento em que os líderes se desgastavam com a quantidade de jogos. Mas o Cruzeiro também não se desgastou? Pois é! Mas a condição física fez a diferença nesse momento. E faltando só 27 pontos em disputa, o time mineiro engatou a quinta marcha e vive o melhor momento, tanto fisicamente como psicologicamente.

O segundo aspirante ao título é o Fluminense, 52 pontos, com 29% de chances de levar o caneco. Apesar dos tropeços nas últimas três rodadas, na qual empatou uma e perdeu duas – sendo uma derrota para o concorrente direto Cruzeiro –, o time de Muricy vem mostrando a força do elenco. De todos os cinco, o Fluminense tem o melhor elenco. E provou isso com a perda de grandes jogadores como Fred, Diguinho, Diogo, Emerson e Fernando Henrique durante pelo menos seis rodadas do campeonato. E vale ressaltar: são cinco titulares absolutos. Por isso atribuo ao tricolor carioca o vice-favoritismo na competição.

O terceiro concorrente é o Internacional, quinto colocado com 47 pontos. O leitor pode achar isso uma incoerência. Mas argumentarei o porquê. Depois do Fluminense, o Internacional tem o melhor elenco da competição. Provou isso enquanto disputava a Libertadores com o time titular e o Brasileirão com o time reserva. E mesmo assim ocupava posições cumeeiras da competição a todo o tempo. O grande problema, nesse caso, é o relaxamento por conta do título da Libertadores, afinal, o colorado já tem a vaga para o ano que vem. E ai, vai relaxar? Pelo visto parece que não. E com um elenco forte, tem todas as chances de dar bastante trabalho nessa reta final de campeonato – apesar de estar a sete pontos do líder Cruzeiro. Abram o olho para o time gaúcho!

O quarto concorrente é o Corinthians com 49 pontos. Apesar de estar sem técnico, sem futebol e com a torcida no pé, ainda possui chances pela campanha que fez e pelo bom time que possui. E por toda essa crise existencial na qual o Corinthians passa foi que coloquei o Internacional como favorito à sua frente. Até porque o técnico novo precisará de tempo para reorganizar o elenco e colocá-lo novamente nos trilhos. E tempo é algo que os aspirantes ao título não tem. É vencer, vencer e vencer...

O último favorito e quarto colocado na competição é o Santos (48 pontos) do interino – ou já efetivado? – Marcelo Marttelote. Atribuo a última posição no favoritismo por não ter um elenco tão vistoso, apesar de possuir um bom time. E mesmo com esse bom time, não é melhor do que os outros quatro. É limitado e, individualmente, só um ou dois jogadores poderão fazer a diferença na reta final. Esse Santos não é mais aquele do começo do ano. Ta longe disso...

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Brincar de ser líder é bom...

O Campeonato Brasileiro desse ano está com uma peculiaridade: essencialmente, Fluminense e Corinthians sempre dividem a liderança da competição. Como se fosse um pacto. Nessa semana um é líder, na próxima é o outro, e por ai vai... Parece uma brincadeira de mau gosto – ou bom gosto, como acharem melhor. E nesse troca-troca de liderança, times como Cruzeiro, Internacional, Atlético-PR, Botafogo e Santos vão surgindo como outros possíveis candidatos ao título. Mas as chances caem na mesma ordem da lista.

Brincadeiras a parte, o tricolor e o alvinegro têm índices de regularidade altíssimos. Nenhuma das duas equipes ficou mais de quatro partidas sem sentir o gosto da vitória. O Fluminense já conseguiu dois empates e uma derrota, assim como o Corinthians. Uma explicação para isso? Pode ser o fato de terem os maiores elencos da competição.

O atual líder, Fluminense, surpreendeu a todos e não sofreu uma queda vertiginosa com a ausência de Fred, Emerson, Diguinho, Diogo e Carlinhos nas rodadas passadas. Tudo bem que algumas oscilações ocorreram e causaram a perda da liderança, coisa que o Flu já tratou de recuperar.

Do lado alvinegro, a condição física e o psicológico é que faz a diferença. O time corre o jogo inteiro e toca a bola com uma calma característica dessa equipe. Uma marca adotada por Mano Menezes e reforçada pelo atual técnico Adilson Batista. E com todo respeito ao atual treinador da seleção brasileira, o novo comandante que o substituiu deu um ‘upgrade’ nessa equipe: uma mobilidade incrível, coisa que não se via no time de Mano. Os volantes invertem as posições e partem para o ataque com a certeza da cobertura de alguém. Bruno César se desdobra no meio campo e chega à frente com certa facilidade. Se com Mano já era bom, com Adílson ficou melhor ainda.

Restando 12 rodadas para o final do Brasileirão, Fluminense e Corinthians, por enquanto, são os maiores merecedores do título. E até brincar de revezar a liderança eles brincam. Resta saber quem se aproveitará dessa brincadeira no dia 5 de dezembro – quando se encerra o campeonato. Ou então se algum time entrará nessa brincadeira também. Brincar de ser líder é bom, mas tem muito time que também leva o Brasileirão a sério.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Corinthians a três passos do título

Tudo bem que o campeonato está muito longe de terminar, mas o time de Adílson Batista tem três partidas importantíssimas para o futuro do Timão no Campeonato Brasileiro. Precisa passar pelo Santos, Internacional e Botafogo. A primeira tarefa já foi cumprida: venceu os meninos da vila por 3x2 em partida fantástica, na qual Elias desequilibrou – mais uma vez – e decidiu o jogo para o alvinegro.

Agora falta o Internacional, neste domingo, no Beira Rio. O Colorado perdeu para o ascendente Atlético-PR na rodada passada, mas ainda é um forte candidato ao título. Tem um belo time e um jogo a menos. A tarefa do Corinthians é complicadíssima, mas se passar sem problemas, dará o segundo passo.

A terceira etapa é o Botafogo carente de Maicosuel. O meio-campista se contundiu e só volta em 2011. Mas notícias boas também empolgam o time carioca: Jobson pode voltar para essa partida e desequilibrar mais uma vez. Vencendo o Botafogo, o time de Elias e cia. darão o último e principal passo para a conquista do Brasileirão.

Pode ser que achem que é exagero meu, e que tem muita coisa para acontecer. Mas, vamos analisar: o Timão bateu o Fluminense e Santos, concorrentes diretos. Se bater também Internacional e Botafogo abrirá três pontos de distância dos dois. Falta ainda o grande Cruzeiro, que vem sendo o principal candidato depois do Corinthians. O jogo é na rodada 35. É decisivo!

Basta fazer os deveres de casa contra seus concorrentes diretos. A começar pelos próximos dois jogos. Com a tarefa cumprida, é manter o foco e não tropeçar com os pequenos – coisa que já aconteceu no turno passado.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Futebol sergipano no inferno dantesco

O futebol sergipano pode ser comparado ao inferno criado pelo italiano Dante Alighieri. O livro “A divina comédia”, dividido em “Inferno”, “Purgatório” e “Paraíso”, foi escrito entre 1304 – 1321 e narra a epopéia imaginada pelo autor e Virgílio, poeta romano clássico que viveu antes de Cristo. Eles passam por situações de superação em um universo catastrófico do Inferno e se deparam com pessoas traidoras, luxuriosas e responsáveis por todas as mazelas do mundo. E com alguns inocentes também. Mas no futebol sergipano, essa história de superação está longe de acontecer.

Com uma temporada péssima, os dois maiores times do Estado, Sergipe e Confiança, ficam à parte das principais competições. O Confiança foi eliminado do Campeonato Brasileiro da Série D, junto com o River Plate - o Sergipe nem participou -, e também deram adeus às chances de classificação no Campeonato do Nordeste. O Mais Querido encontra-se na lanterna e o Dragão, que não cospe fogo algum, está em 12° lugar.

E se na obra de Dante os personagens precisaram ultrapassar nove círculos – etapas do inferno criadas pelo escritor – para sobreviver, os clubes sergipanos também têm nove círculos para vencer.

O primeiro círculo é a falta de oportunidades estruturais para financiar os times do Estado. Sem uma política econômica sólida, empresa alguma terá interesse em estampar seu nome nas camisas dos clubes daqui. Nem Norcon, nem Celi, nem nada.

No segundo ‘andar’ do inferno, existem as destruídas e abandonadas sedes dos clubes que deixam a desejar em suas estruturas. O local de treino do Confiança, por exemplo, dá até pena.
Podemos visualizar no terceiro círculo um incoerente projeto de formação de novos talentos Ou melhor, os times vendam os olhos para os garotos. Muitos jovens estão nas categorias de base do Cruzeiro, por exemplo. Mas e aqui? Cadê?

O quarto círculo serve para algumas pessoas específicas, como Milton Dantas, presidente do Confiança e Carivaldo, presidente da Federação Sergipana de Futebol – FSF. É nesse nível do inferno que, segundo Dante, vivem os pródigos e avarentos, aqueles que são sórdidos ao dinheiro. Não precisa dizer mais nada.

No quinto nível, coloco os torcedores que abandonam os times nas horas mais difíceis. E atribuo ao sexto círculo os torcedores que, apesar de todos os problemas do futebol, teimam em menosprezar os principais times do Estado. Clubes com história e tradição, mas que infelizmente encontram-se nesse estado.

Os pecadores que foram culpados justamente ou injustamente encontram-se no sétimo andar do inferno. Coloco ai jogadores renomados e veteranos que não renderam o suficiente e decepcionaram em suas aparições pelas terras sergipanas. A exemplo de Beto que, com ou sem pecado, não contribuiu em nada com suas atuações. Deu uma de ‘barqueiro’, ou seja, colocou o nome acima da postura profissional. E de jogador barqueiro Sergipe ta cheio. Trocam treinos por baladas e esquecem das responsabilidades. Culpa do jogador? Em grande parte, sim.

É no penúltimo círculo que, segundo Dante, existem os violentos. E por isso insiro alguns torcedores das organizadas do Estado, estes que rebaixam ainda mais o futebol daqui. Enfim, no último circulo estão alguns profissionais da imprensa que criam falsos ídolos e iludem o coração do torcedor apaixonado, além de atribuírem a qualquer jogador o status de salvador da pátria. Carente de ídolos, esses jornalistas criam um falso futebol, com técnicos e jogadores virtuais. Além disso, se vê uma exaltação aos times do Sul e Sudeste do país, como se fossem Deuses que precisam ser idolatrados.

Todo esse desastre pode ter solução? Em tese sim, mas é necessária uma reviravolta muito grande em questões que demandam bastante tempo. É uma reestruturação que precisa de articulações bem definidas por parte do Estado, das empresas privadas e, principalmente, de novos gestores do futebol. Se até Dante Alighieri e o poeta Virgílio, depois de muito sofrimento, superaram as desgraças do Inferno para chegarem ao Paraíso e vislumbrar um final feliz, por que nosso esporte também não superaria? Vamos sair da posição de pior futebol do Nordeste e voltar a uma colocação digna das tradições futebolísticas de Sergipe.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Maracanã: diminuem o seu tamanho, mas não sua grandeza

O fechamento do Estádio Jornalista Mário Filho - o Maracanã - para as reformas que visam a Copa de 2014 é uma coisa certa e coerente por parte da Confederação Brasileira de Futebol - CBF. Nada de jogos enquanto se tem uma reforma. Até aí tudo bem. Mas o que, com certeza, traduz um 'antitradicionalismo' por parte da CBF e da Fifa - Federação Internacional de Futebol - é a redução das dimensões do gramado e do público daquele que já foi e não será mais o maior do mundo. Ou melhor, já não era desde a reforma anterior.

O Maracanã se consolidou desde a sua criação, em 1950, como um estádio de tamanho colossal para atender a grandes públicos e a jogos históricos. Cabia mais de 180 mil torcedores - e até 200 mil, como na final da Copa do Mundo de 1950, contra o Uruguai. Hoje comporta 80 mil e futuramente caberão 76 mil. Não que isso seja pouco, pois não o é. Mas que sofreu uma diminuição de mais de 100% do seu público em 60 anos de história.

Os argumentos para as reduções são os mesmos de sempre, mas nem por isso menos válidos: o melhor conforto. Da geral para as cadeiras, em 2014 o grande estádio terá todas as poltronas numeradas, com rampas para aumentar a facilidade de escoamento dos torcedores no fim das partidas. Segundo a FIFA, o tempo máximo é de 8 minutos. Hoje, isso se dá em média de 20 a 30mim.

Mas, como torcedor, a redução de quatro mil lugares não é algo tão revoltante. O principal é a diminuição do gramado, que era de 110m x 75m, para 105m x 68m. É pouco? Em números parece, mas em comparações não. O gramado do Mário Filho ficará semelhante ao da Vila Belmiro, alçapão santista. E agora? É pequeno ou não é?
No Maracanã, com as dimensões normais, muitos craques já brilharam e muitos e desconcertantes dribles entraram pra história. Uma história que vai sendo ofuscada a cada dia pelas modernidades e exigências desmedidas do futebol.

Nada contra a reforma. Reduzir de 180 mil para 76 mil corações apaixonados gritando por um time não deve diminuir o valor histórico do estádio. O Maracanã continuará sendo grande. Mesmo assim, tchau, Maracanã. E 'bem-vindos' gramados fenomenais, cadeiras confortáveis e público restrito.

Flu retoma o caminho do triunfo

A vitória do Fluminense contra o Ceará marcou a volta daquele time que estava jogando por música no campeonato brasileiro. Na estréia no Engenhão, o Mariano e Washington – duas vezes – marcaram pelo tricolor. Geraldo descontou no finalzinho para consolar o Ceará, que cai de posição a cada rodada.

Muricy armou o time no 3-6-1, dando liberdade aos laterais e principalmente ao argentino Conca, que, ao lado de Deco, jogaram mais próximos de Washington. E deu certo. O time mostrou mobilidade e corroborou uma tese inicial: esse time só rende ao máximo quando atua com três zagueiros. Mariano e Júlio César são alas que, quando utilizados como laterais – num 4-4-2 – não tem tanta liberdade para atacar.

E no fim do jogo Deco diz que o estádio do Botafogo lembra o do Porto-POR, seu primeiro grande time. Deve ter servido de inspiração para sua boa atuação.

Agora é esperar o fechamento da rodada na quinta-feira para ver a situação de um campeonato que se torna cada vez mais emocionante. Fluminense e Corinthians duelam pela liderança. Cruzeiro, Botafogo, Santos e Internacional se estapeiam logo atrás.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O adeus de Rogério

O jogo sem graça e o empate sem gols entre Flamengo e Atlético Mineiro contribuíram para a demissão do técnico Rogério Lourenço. E esse fato não deve ser motivo de tristeza, e sim de alegria. Deixando de lado a competência – ou a falta dela – do ex-técnico, o fato é que o time rubro-negro não rendeu em suas mãos. E por uma série de equívocos e limitações técnicas do próprio time.

Um dos equívocos foi na saída de bola do Flamengo. Willians, maior ‘ladrão’ de bolas do Brasileirão do ano passado, estava – e está – em uma fase não muito boa, apesar de ser o quarto maior no quesito ‘roubadas de bola’ nesta edição do Campeonato. A sua escalação como primeiro volante o limitou taticamente. No ano da conquista rubro-negra, Willians destacava-se pela liberdade para atacar e constante movimentação pela ponta direita.

Na questão da limitação técnica, era evidente a carência de bons atacantes, ou pelo menos razoáveis. O colombiano Cristian Borja não deu conta do recado. Muito menos Vinícius Pacheco, que era escalado – equivocadamente ou por carência no elenco – como atacante. Sua posição é no meio campo, mais precisamente no lugar do sérvio Petkovic.

Equívocos e desastres a parte, o técnico Rogério Lourenço não ‘deu liga’ ao time do Flamengo. Foi um time desajustado e sem vigor para grandes jogos. Traduzindo: o perfil de um treinador inexperiente, mas com vontade de mostrar serviço. Felizmente, ou infelizmente, terá que mostrar esse serviço em outro clube.

Com essa demissão, já se tem uma média de 18 em 16 rodadas do campeonato brasileiro. E já se fala em Carlos Alberto Parreira para o Flamengo. Nada contra o Parreira, que FOI um grande técnico.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Carreira rompida?

A notícia do afastamento dos gramados do jovem Paulo Henrique Ganso deixou todos os que gostam do bom futebol cabisbaixo. Principalmente a torcida do Santos, que o verá afastado da Vila Belmiro por pelo menos seis meses. O craque torceu o joelho esquerdo na partida contra o Grêmio, pela rodada 16 do Campeonato Brasileiro, quando pisou de mau jeito no gramado. Ou melhor, tecnicamente ele rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo.



E agora? Como se comportará o time santista com a ausência do seu mais importante jogador? Ganso era o responsável pela ligação meio campo-ataque e por ter a característica de pensar o jogo para seus companheiros.

E agora? Não veremos mais o jovem canhoto atuar esse ano. Uma perda irreparável para o futebol. Madson não suprirá sua ausência por completo. Se não fosse Keirrison e Neymar, o Santos estaria em uma situação ainda pior.

O que fato cabe a nós, apreciadores do bom futebol, é torcer pela recuperação dessa jovem promessa do futebol mundial. O cara ainda tem muito futebol pela frente, muita lenha pra queimar e muitos passes a dar. Sua carreira está longe de ser rompida, assim como o seu joelho.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Com Deco, ou sem Deco?

O clássico entre Fluminense e Vasco se aproxima e a dúvida fica a cada dia mais cruel. Afinal, Deco deve ou não começar jogando contra o Vasco? Deve-se lembrar que partidas assim são decididas nos detalhes e qualquer modificação tática pode ser fatal para o resultado do jogo. Mas essa tal modificação não seria algo normal, afinal estamos falando do craque português que tanto fez pelo futebol. Jogador que pode desestabilizar o andamento de uma partida. E Muricy quebrará a cabeça até o domingo, dia 22, às 18:30 no Maracanã. Ou melhor, até às 18 horas, que é o tempo máximo para divulgar as escalações.

Mas, além disso, outros detalhes devem ser enfatizados. Emerson não joga e com isso o Fluminense perde em velocidade, principalmente nos contra-ataques. Com Deco em campo, o jogo torna-se ainda mais lento, já que o português não está acostumado com o jogo rápido e ‘aceso’ no Brasil. No lugar do Sheik, Marquinho e Rodriguinho disputam a posição. Se Muricy optar pelo primeiro, o time ganha consistência no meio-campo, mas perde ofensivamente. Se colocar o segundo, ganha a velocidade de antes, mas sem a qualidade de sempre.

Ou coloca Deco e Rodriguinho. Ganha na velocidade e na técnica. Tudo isso depende do técnico tricolor. A dor de cabeça é benéfica, já que o treinador conta com várias opções no plantel, bem como a volta de Belletti e Carlinhos – como titulares ou reserva – e a possível inscrição do volante Valencia no BID.

Separei três formas de como o tricolor pode atuar contra o Vasco.

Primeira: Marquinho entra no lugar de Emerson e Leandro Euzébio se mantém na zaga. O esquema seria o 3-6-1, mais consistente no meio-campo e com menos opções ofensivas - os alas serão muito mais acionados e o Flu pode dar certo desse jeito também.



Segunda: Deco no lugar de L. Euzébio e Marquinho no lugar de Emerson. Seria um 4-5-1, com qualidade no meio campo, porém os alas não poderiam avançar tanto quanto no esquema anterior.



Terceira: Um esquema ousado, mas arriscado. Mudaria totalmente a forma de jogar do Fluminense, mas se der certo, seria muito bom. Deco e Rodriguinho deixariam o Fluminense mais técnico e veloz, mesmo com a ausência de Emerson.



Dessa terceira opção, coloquei o posicionamento dos jogadores nas jogadas de ataque. Lembrando que pode mudar, mas teoricamente seria dessa forma:

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Time espetacular tem prazo de validade

Os grandes times do futebol brasileiro podem ser comparados a alimentos com prazo de validade curto. Digo grandes times, pois bons times aparecem sempre. O Santos, por exemplo, é a mesma coisa de um iogurte qualquer: depois de aberto, consumir em até três dias. Depois disso, não presta mais. E é o que está acontecendo com o peixe.

Seis meses. Foi o tempo necessário para esse time se desfazer. Do título paulista, passando pela Copa do Brasil até o desmanche total. Neymar deu adeus por 30 milhões de euros e Wesley também caiu fora – para o Werder Bremem. Robinho voltou para o City e André sumirá na Ucrânia. Dos espetaculares jogadores, só o Ganso sobrou. E não poderá fazer muita coisa, mesmo com a contratação de Keirrison, o único reforço de peso.

E quer dizer que só Keirrison virá? O dinheiro de Neymar da para montar um bom time, mas não um grande time, espetacular. Por enquanto, Zé Eduardo, Marcel e Madson tentam – e sem sucesso – suprir a ausência dos craques. Craques eles não são e também não conseguirão iludir o torcedor santista. Se continuar assim, a tríplice coroa se distanciará ainda mais. Depois do desmanche, nenhuma vitória ainda, sendo uma derrota em casa para o forte e organizado time do Avaí.

Esse é o grande problema do nosso futebol. Os grandes times desaparecem como mágica. E como toda magia que se preze, encanta quem vê, vislumbra, mas acaba de forma rápida, fugidia. Mas sempre há renovação. Daqui a pouco aparece outro grande time, e a história continuará... Vai um iogurte ai?!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O novo Brasil e o parque de diversões

A nova seleção brasileira, controlada pelo técnico Mano Menezes, já começou a tomar forma. A vitória de 2x0 sobre os EUA deixaram evidentes as novas características desse time técnico, rápido e leve. A estrela de Neymar brilhou e o moleque marcou seu primeiro gol com a seleção principal logo na primeira convocação. Pato ampliou ainda no primeiro tempo com um gol típico de atacante – driblou o goleiro e mandou às redes, com frieza e perfeição.

Na defesa, Thiago Silva e David Luiz suprem a ausência de Juan e Lúcio, além de terem boa técnica com a bola nos pés. Sabem sair para o jogo e cabeceiam muito bem. Os laterais Daniel Alves e André Santos invertem as jogadas e mostram grande entrosamento e dinamismo com o restante do time, mesmo sendo apenas o começo de uma nova era.

O meio campo o Brasil se destaca. Leve, técnico e multifuncional. Lucas e Ramires saem muito bem para o jogo e dão segurança para o craque Paulo Henrique Ganso, o Ademir da Guia canhoto, controlar o meio campo. Na frente, Robinho, Neymar e Pato infernizaram a defesa norte-americana e pareciam estar em um parque de diversões. Demonstraram grande mobilidade e, apesar de jogarem na frente, preocuparam-se com as questões táticas.

Mas os problemas aparecem, frutos de um time ainda desentrosado, mas que pode dar liga e melhorar ainda mais. O toque de bola às vezes é lento, mas o objetivo do gol ainda permanece.

Deve-se enfatizar que o adversário não é um qualquer. Os EUA têm um bom time, que fez uma campanha digna na Copa do Mundo e chegaram à final da Copa das Confederações – perdendo para este mesmo Brasil; ou melhor, outro totalmente diferente. Mano Menezes começa com o pé direito e que apresenta o Brasil de todos. Um Brasil recuperado em sua essência, mais jovem, mas rápido, mais leve, com talentosos jogadores que não sentem o peso da camisa. Um Brasil cada vez mais brasileiro. Mas isso é só o começo. Tem muito chão pra pisar.

O Inter de Giuliano

O jovem meio-campista Giuliano, de 20 anos, será responsável por fazer a função do experiente Tinga na primeira partida da decisão contra o Chivas-MEX, lá em Guadalajara. E é uma responsabilidade grande suprir a ausência de um jogador que encaixou-se – novamente – como uma luva no meio campo colorado. Formava ao lado de Guiñazu uma dupla que sabia jogar bola e marcar com qualidade.

A opção de Celso Roth foi a mais cabível, mas taticamente o Inter se comportará de maneira diferenciada. Com a saída de Tinga, os gaúchos perdem em marcação, mas ganham em velocidade e técnica. Ao lado de D’alessandro, o jogador revelado no Paraná Clube será encarregado de colocar Taison e Alecsandro na cara do gol.

Uma mudança tática importante é a utilização de Guiñazu para uma marcação mais forte ao lado de Sandro. Com Tinga, o argentino tinha mais liberdade para ir ao ataque. Com a mudança, terá que se resguardar um pouco mais para tentar manter a qualidade no meio campo, esta que o Inter tem de sobra e não pode falhar na decisão.



Vale lembrar que a força do Internacional também está nos avanços dos laterais Nei e Kleber (principalmente). Não se deve perder essa qualidade mesmo com os imprevistos e improvisos. Mas como o Inter tem elenco, isso não se torna um problema.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

São Paulo com força máxima e variação tática

O técnico Ricardo Gomes vêm à campo nesta quinta-feira contra o Internacional, pelas semi-finais da Libertadores 2010 com o que tem de melhor. Jogadores em forma, com exceção de Ricardo Oliveira, que ainda busca o ritmo de jogo, mas que é diferenciado e pode decidir a partida no Morumbi.

O grande acerto tático foi à colocação de Fernandão como meia-atacante, aproximando-se dos atacantes Ricardo Oliveira e Dagoberto, este que ficará pelos lados do campo para confundir a marcação adversária. Teoricamente, apenas um volante. Na prática, são dois, com Cleber Santana ajudando Rodrigo Souto na marcação. Hernanes estará menos sobrecarregado defensivamente e estará apto para fazer o que melhor sabe: por os atacantes na cara do gol.

Lá atrás, Júnior César avancará mais do que Jean, que às vezes poderá fazer o terceiro zagueiro pela direita, liberando mais ainda o baixinho lateral-esquerdo. Teoricamente, o São Paulo jogará no 4-1-2-1-2, ou 4-4-2 losango, para resumir. Com Jean recuado, o esquema também varia para o 3-5-2. Se a situação apertar, Ricardo Gomes poderá usar um 4-3-3 com Fernandão ao lado dos dois atacantes.

Miranda e Alex Silva forma uma zaga alta e de respeito. Alecsandro, que jogará isolado – Taison vai mais recuado para o jogo, ao lado de D’Alessandro; teoricamente será o 4-2-3-1 – terá muito trabalho para vencer os dois zagueiros. Será necessária uma maior participação dos meias de criação e, pelo menos, um dos laterais (de preferência que seja Kleber).

O SÃO PAULO ENTRARÁ EM CAMPO COM ESSE ESQUEMA:



O que de fato se percebe é um São Paulo bem montado e preparado para efrentar o Internacional, que tem a vantagem de 1x0 e que vem com um time preparado para os contra-ataques. Será um grande jogo, com o tricolor paulista a procura de um gol logo no primeiro tempo.

“O Santos é o novo campeão” (novamente)

A conquista da Copa do Brasil pelo alvinegro praiano contra o Vitória mostra em números o melhor time do Brasil desse primeiro semestre. São 38 gols na Copa do Brasil em 10 jogos. São mais de 100 gols no ano. É gol pra dar e vender! Pena que, infelizmente, grandes times do futebol brasileiro não conseguem manter seus elencos até o final do ano. Esse time do Santos já perdeu, ontem, André para O Dínamo de Kiev – UCR e Robinho para o Manchester City-ING, este que tenta ir além das pedaladas e ‘traquinagens’ futebolísticas. Seu recinto é o Santos, sua razão de viver e sua alegria em jogar futebol estão na Vila Belmiro, assim como Roberto Dinamite do Vasco da Gama, que só ‘sabia’ jogar pelo time da cruz de malta.

A derrota para o rubro negro ainda teve um gosto de vitória, mas ficou evidente um erro crasso do time santista: não sabem salvar-se de pressão. O Vitóra pressionou, apertou e jogou contra as redes o time de Robinho. Mas aquele é santástico Santos, time de craques e talentosos jogadores – com raras exceções dos ‘cones’ de plantão – conseguiu encontrar seu caminho, mesmo que fossem nos contra-ataques.

Já o Vitória lutou bravamente e, apesar da limitação técnica, mereceu o triunfo contra os meninos da vila. Mas deixem-me ressaltar: mereceu a vitória, e não o título. Foi guerreiro, lutador, de uma avidez de dar inveja, cheio de ambições contra o melhor time de 2010 – até agora. No fim, pesaram jogadores de mais qualidade individual, de craques que, por exemplo, o Santos tem, e de sobra. Foi um vice-campeonato digno, de um time que sai de cabeça erguida e ciente da raça demonstrada e reconhecida pela torcida.

Agora some o título Estadual com a Copa do Brasil, além de um time que, do meio para frente só tem jogadores de altíssimo nível. O resultado é o exemplo mais vivo de que futebol pode ter arte, busca pela perfeição técnica, ofensividade e criatividade. Outro exemplo é que times de futebol, principalmente os brasileiros, ‘laranjas’ dos times europeus, devem investir em sua base, sem medo nem receio. Mais vale uma cria da casa do que um veterano ‘pé-de-chinelo’, que carrega o peso do nome nas costas e pouco futebol nos pés. Isso da orgulho ao time e torna-se mais viável financeiramente. Por isso está ai, novamente: “o Santos é o novo campeão” (de novo)!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O desgaste da esportividade

Há muitos anos o esporte vem perdendo suas essências e seus valores. A competição pacífica e a valorização da derrota não existem mais. Pode-se dizer que, hoje, esporte é sinônimo de guerra, tanto dentro quanto fora de campo.

Observamos nas transmissões esportivas diversas brigas de torcidas organizadas, e alguns que até se encontram, infelizmente, naquele cenário, naquela hora, naquele minuto de guerra e destempero. Não é culpa de apenas um, e sim de todo um conjunto animal, irracional e inconseqüente.

Todo esse descontrole seria paixão? Não, meus amigos. Raiva é um sentimento natural e intrínseco no esporte, mas que se diferencia muito da vontade de matar e fazer mal a alguém. Seu time está tomando um chocolate dentro de casa e você vai descontar em outras pessoas? Espero que não!

Toda essa generalização que fiz nos três parágrafos anteriores serve para situar você, leitor, aquele que curte o esporte de forma pacífica, amorosa e às vezes até desatinado, sobre a atitude das torcidas organizadas dos quatro grandes times paulistas, que se juntaram para protestar sobre a nova lei do estatuto do torcedor. Um dos parágrafos trata do controle da violência, o qual todo ato irascível e perturbador num raio de cinco quilômetros deve ser punido.

Outro detalhe é sobre a venda de bebidas alcoólicas dentro dos estádios, estas que só poderão ser comercializadas do lado de fora e até duas horas antes do início do ‘espetáculo’. Para pessoas normais, que vão aos estádios, arenas, Maracanãs e Maracanãzinhos, isso é uma atitude positiva e construtiva. Mas para os vândalos não.

O ato de se juntar e ainda cantar ‘deixa o menino bater, deixa o menino bater...’ traduz aquilo que o ser humano tem de pior: a brutalidade, a incivilidade. Alguns têm esse sentimento mais comportado; já outros levam essas características como sua essência pessoal. Reagir a uma lei construtiva é uma atitude contraproducente e incoerente. Infelizmente, temos que nos contentar com o pouco que sobrou da esportividade.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Ricardo Gomes: o câncer são-paulino

Depois da derrota do São Paulo para o Internacional por 1x0, no Beira-Rio, pela primeira partida das semifinais da Libertadores 2010, ficou claro o principal problema do time tricolor. A partida foi disputada, mas com um maior pendor para os colorados, que tinham um meio campo mais técnico e um time mais dinâmico. Já o São Paulo tinha uma clara deficiência tática, não técnica. Ricardo Gomes cometeu dois erros crasos e que foram fundamentais pelo tropeço paulista.

O primeiro foi a escalação de Marlos como meia-atacante. É natural, quando um time atua no 3-5-2, que se tenha um jogador técnico, inteligente e cerebral comandando os dois atacantes. O ex-jogador do Coritiba é um atleta com características velozes. Pode atuar tanto pelos lados do campo ou como ala pela esquerda (a depender da estratégia do técnico). Hernanes seria o substituto ideal para atuar nessa posição. Faria um meio campo com Rodrigo Souto, Cléber Santana e Hernanes. Além de ganhar a criatividade do camisa 10 são paulino, o tricolor teria um meio campo mais marcador e pegador.

Erro número dois foi a utilização de Fernandão como atacante de área. O ex-colorado foi campeão mundial atuando como meia-atacante, armando as jogadas e utilizando sua força e inteligência para chamar a marcação adversária. A pequena área não é o forte desse jogador, apesar de ser alto, forte e troncudo. Nesse caso, Marlos poderia fazer dupla com Dagoberto. Alguns treinadores preferem um atacante de referência dentro da área. Ricardo Oliveira seria a cereja do bolo se não estivesse em más condições fixas. Com dois atacantes rápidos (Marlos e Dagoberto), o time paulista teria mais mobilidade e poderia contra-atacar o Internacional com mais eficácia.



Pecou Ricardo Gomes, perdeu o São Paulo. Será que essa sisudez toda é fruto de sua europeização pelo time do Mônaco-FRA? Será também que criar um time sem mobilidade é algo normal? Não sabemos as respostas, mas as conseqüências são visíveis no time do São Paulo: apático, parado e lento. Mas deve-se deixar claro que o Internacional mereceu a vitória pelo que fez no jogo como um todo e também pelo comportamento generalizado de todo o time: concentrado, ativo, ávido e rápido.

A situação pode mudar e o São Paulo tem totais condições e, principalmente, time para virar o jogo. Mas antes de tudo é necessário um técnico.

domingo, 25 de julho de 2010

A árdua tarefa da renovação

Mano Menezes é o novo técnico do Brasil. A responsabilidade, que já é grande, se torna muito mais árdua e intrincada quando, além de ter que vencer tudo o que puder, precisa-se fazer uma renovação. Se entenda por renovação, caro leitor, tanto a idade quanto a qualidade do futebol bonito – este que o técnico anterior nos tolheu.

E o trabalho começa de agora, com a convocação nesta segunda para o primeiro amistoso do Brasil depois da Copa. Mano Menezes levará consigo um imenso conhecimento técnico e tático do futebol, algo que o consagrou e marcou aquele Corinthians de 2009, campeão da Copa do Brasil. E o principal: títulos.

Se é necessário renovar desse momento, alguns jogadores não deveriam ser convocados pela idade. Por exemplo: Luis Fabiano tem 30 anos agora. Em 2014 terá 34. Por isso, mesmo sendo um grande atacante, será importante para um futuro distante? Creio que não. O mesmo vale para outros craques da bola: Julio César, 31, Lúcio, 32, entre outros jogadores. Mas, quem sabe alguns desses não continuam atuando com qualidade mesmo na melhor idade?

O momento é de renovar a idade e o futebol desses jogadores. Começar do zero e montar um grande time, com jogadores verdes, virgens, inexperientes mas com futebol de qualidade para dar e vender. Claro que não se deve fechar os olhos para alguns ‘veteranos’, no entanto a mescla deve ser feita valorizando a renovação. E o principal: não fechar os olhos para a opinião pública. O técnico deve ter sensibilidade para entender quem está ou não em boa fase. Seleção não são os mais fieis, e sim os que jogam mais futebol.

.......

Alguns amigos me pediram para palpitar sobre quem convocaria para o amistoso contra os EUA. Então, lá vai. Lembrando que é uma opinião de quem vos escreve. Prefiro uma renovação que valorize a garotada que vem desbancando os mais velhos. Críticas são bem vindas. Vale ressaltar também que jogadores da europa, Santos, São Paulo e Internacional não poderão ser convocados,pois estão em férias e com compromissos em outros campeonatos. Por isso, essa lista ainda não mostra a cara da seleção.

Goleiros – Victor (Grêmio), Jefferson(Botafogo) e Fernando Henrique (Fluminense)

Laterais – Diego Renan(Cruzeiro),Mário Fernandes(Grêmio),Leonardo Moura(Flamengo)e Mariano (Fluminense)

Zagueiros – William (Corinthians), Rafael Marques (Grêmio), Rafael Tolói (Goiás)e Maurício Ramos (Palmeiras)

Meio Campo – Adílson (Grêmio), Elias (Corinthians),Fabrício (Cruzeiro), Diguinho (Fluminense) Phillipe Coutinho (Vasco), Lincoln (Palmeiras), Diego Souza(Atlético-MG) e Willians (Flamengo)

Ataque – Fred (Fluminense), Kléber (Palmeiras), Diego Tardelli (Atlético-MG) e Jonas (Grêmio)

Time Base: Victor; Leonardo Moura, Rafael Marques, Rafael Tolói e Diego Renan; Elias, Diguinho, Lincoln e Diego Souza; Fred e Kléber

sexta-feira, 23 de julho de 2010

A seleção, enfim, teria um técnico,....

...mas Muricy Ramalho preferiu a estabilidade de um time de futebol do que um contrato de risco com a seleção brasileira. Certo ele! Deixar o líder do campeonato para assumir uma seleção que já possui um técnico. Aliás, muito inexperiente e ruim por sinal. Ricardo Teixeira e seus auxiliares da CBF entortam e querem mandar no time pentacampeão mundial. Se o trabalho fosse mais sério, o técnico do Fluminense poderia pensar, pois o mesmo caracteriza-se pelo profissionalismo e por cumprir seus contratos. E por falar na papelada, o tricolor carioca pretende prorrogar a era Muricy até 2012.

Mas quem poderá ser o técnico da seleção? Um nome deve ser pensado rapidamente, afinal o Brasil tem um amistoso dia 10 de agosto contra os Estados Unidos em New Jersey, no New Meadowlands Stadium. A CBF pretende fazer uma proposta para Mano Menezes daqui a algumas horas. Mas se tudo correr logicamente, ele não sairá do timão por dois motivos: o primeiro é a boa classificação que se time ocupa no Brasileirão 2010; o segundo é que Andrés Sanchez não quererá, com Horcades, presidente do Flu, não quis.

Mas, ‘e agora José?’ O que será da seleção? Ficará órfã de técnico, ou buscará qualquer ‘tapa buraco’ para não passar vergonha? Entre essas duas opções, a menos pior é a primeira. Maldito pessimismo! E o pior de tudo é a realidade nua e crua: mais vale um time estável do que a grande seleção brasileira de futebol.

sábado, 17 de julho de 2010

K9 e a troca mais do que justa

Quando Keirrison, ou K9, foi contratado pelo Santos devido à venda do atacante André para o Dínamo Kiev-UCR, a intenção era manter a qualidade. Ou seja, fazer uma troca justa. Porém, justiça seja feita: foi uma ótima troca.

Alguns podem achar que André se encaixa melhor nesse time do Santos pelo fato de conhecer os garotos Neymar e Ganso de perto. Isso é algo relevante se Keirrison não fosse o contratado. Os números provam uma regularidade mais do que impressionante para um atacante. Pelo Brasil, Keirrison atuou em 122 partidas pelo Coritiba e marcou 65 gols (0,54 gol por partida). Já a passagem pelo Palmeiras foi rápida, porém marcante: 35 partidas e 24 gols (0,69 por jogo). Isso prova a eficiência de um atacante. Um gol a cada dois jogos é uma marca que muito atacante gostaria de usufruir.

Do lado oposto, André também coleciona números muito bons. Em 50 partidas disputadas com o time santista, marcou 28 gols, o que dá uma média de 0,56 gols por jogo.

Com a contratação de Keirrison, o time do Santos pode ter um certo desentrosamento com o jovem atacante. Mas é tudo a curto prazo, pois quando a máquina santista engrenar novamente, terá muito mais qualidade do que anteriormente. Vale ressaltar a competência dos dois jovens atacantes. Rápidos, eficientes e matadores. Mas Keirrison leva uma ligeira vantagem: tem mais nome (apesar de isso não valer muita coisa) e uma regularidade estatística impressionante.

Bom seria os dois nesse time do Santos....Ganharia o brasileiro, mas perderiam os adversários.
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